Estudo do Pacto Global da ONU no Brasil revela que brasileiro pode contribuir com 16kg de plástico no mar por ano

Pesquisa inédita, apresentada na Conferência dos Oceanos das Nações Unidas,
mostra que 33% do plástico consumido podem chegar ao mar;

Junho de 2022 - Um estudo inédito, encomendado pelo Blue Keepers, projeto ligado à Plataforma de Ação pela Água e Oceano do Pacto Global da ONU no Brasil, aponta que cada brasileiro pode ser responsável por poluir os mares com 16kg de plásticos por ano. São 3,44 milhões de toneladas desse material propensos ao escape para o ambiente no país, ou 1/3 do plástico produzido em todo o Brasil corre o risco de chegar ao oceano todos os anos.

A pesquisa inédita, feita entre julho de 2021 e abril de 2022, faz parte dos dois primeiros relatórios produzidos pelo Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo, e foi apresentada em primeira mão na Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, que conta com a presença de chefes de estado, organizações e setor privado para discutirem todos os assuntos ligados ao oceano – econômicos, sociais e ambientais.

“Estamos na Década dos Oceanos e o Brasil tem e deve ter cada vez mais protagonismo no tema. As empresas são parte do problema e devem ser parte da solução. Temos um longo caminho a seguir, mas o diagnóstico trazido pelo estudo conduzido pelo Blue Keepers e o Instituto Oceanográfico da USP mostra o que precisamos fazer imediatamente, que é criar soluções não somente em áreas costeiras do Brasil. E para já”, diz Carlo Pereira, CEO do Pacto Global da ONU no Brasil. “O Blue Keepers instrumentaliza, com base em ciência, as ações e as estratégias de prevenção do lixo no mar no Brasil. Entramos num novo estágio dessa discussão, que nos possibilita atuar de forma mais estratégica. Contamos com as empresas nesse trabalho, elas são fundamentais”.

O Pacto Global da ONU no Brasil também apresentou o Blue Keepers no Arena Oceano, evento proprietário que realizado no Eurostar Universal Lisboa no dia 29 de junho, com o apoio da Azul Linhas Aéreas e da Corona, marca da Ambev. Sylvia Earle, bióloga marinha que é um dos maiores nomes mundiais no tema, conhecida como ‘a dama dos mares’, foi a Key Note Speaker da programação que incluiu outros painéis.


Sylvia Earle durante sua apresentação no evento Arena Oceano.

Estamos vivendo um momento crucial para colocar em prática planos de ação que garantam o desenvolvimento sustentável do nosso planeta. Planejar e executar soluções a curto, médio e longo prazos pela preservação e conservação dos nossos mares e oceanos é urgente e prioritário. A nossa marca Corona lidera ações de conscientização e, como aliados do movimento, vamos zerar a poluição plástica das nossas embalagens em três anos. Somando esforços, vamos recuperar e proteger o futuro do qual não podemos abrir mão”, afirmou Rodrigo Figueiredo, Vice-Presidente de Sustentabilidade e Suprimentos da Ambev, que apoiou o side event com a marca Corona.

Para a Azul Linhas Aéreas, participar do Pacto Global da ONU é motivo de orgulho. Tendo em vista que desejam um horizonte azul para o planeta, estão conectados com as práticas de ESG.  A companhia tem os programas RecicAzul e Eu Reciclo, que neutraliza e compensa os resíduos que são gerados durante o serviço de bordo, reduzindo o lixo que eventualmente pode parar nos oceanos.

Estudo Blue Keepers mostra que plástico no mar também vem de municípios no interior

O estudo Blue Keepers, que tem patrocínio da Braskem e da Ocean Pact, além de apoio técnico da USP, observou também que existe um alto risco desse estoque plástico chegar até o oceano por meio de rios. Esse nível de risco varia ao longo do território brasileiro, mas áreas como a Baía de Guanabara (RJ), rios Amazonas (Amazonas e Pará), São Francisco (entre Sergipe e Alagoas) e foz do Tocantins (Pará), e na Lagoa dos Patos (Porto Alegre), são especialmente preocupantes. Além disso, diversos municípios, mesmo no interior, têm alto risco de contribuir para o lixo plástico encontrado no oceano e, por isso, é necessário agir localmente nessa questão.

Gabriela Otero, coordenadora do Projeto Blue Keepers, apresentando o estudo no evento.

A metodologia desenvolvida é inédita e traz avanços sobre modelos globais usados em estudos anteriores. O Blue Keepers utilizou parâmetros socioeconômicos e geográficos que não haviam sido representados anteriormente, como a reciclagem informal e a presença de barragens no país. Portanto, a própria metodologia em si é um resultado importante para que outros países busquem diagnosticar suas poluições por plástico.

Realizado o diagnóstico Brasil, o projeto inicia ações locais começando no segundo semestre de 2022, priorizando 10 municípios. O Rio de Janeiro será a primeira cidade a ser assistida pelo Blue Keepers, que identifica de onde vêm os resíduos para criar soluções para prevenir o problema. O projeto atua como uma ferramenta de planejamento e execução de ações diagnósticas e soluções por meio de parcerias entre os setores público e privado, em alinhamento com o Plano Nacional de Combate ao Lixo no Mar (PNCLM) e a recém-lançada Resolução da ONU Meio Ambiente pelo Fim da Poluição por Plásticos. As outras cidades prioritárias são Manaus (AM), Belém (PA), São Luís (MA), Fortaleza (CE), Natal (RN), João Pessoa (PB), Recife (PE), Maceió (AL), Aracaju (SE), Salvador (BA), Vitória (ES), São Paulo (SP), Baixada Santista (SP) e Porto Alegre (RS).

O Blue Keepers é uma iniciativa nacional que busca a efetiva mobilização de recursos e inovação tecnológica no combate à poluição do plástico em bacias hidrográficas e oceanos, com o envolvimento de empresas de todos os setores, diferentes níveis de governo e da sociedade civil na preservação do ecossistema. A iniciativa faz parte da Década dos Oceanos, criada pela ONU em 2020, que visa a conservação e uso sustentável dos oceanos, mares e recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável. Hoje, estima-se que 150 milhões de toneladas de plástico circulem no mar.

Fotos: Gabriela Otero
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