Ativista quer ‘afundar’ ilha renascida por conta das mudanças climáticas

Dezembro de 2021 - A represa de Jurumirim, no município de Avaré, em São Paulo, amanheceu com um visitante inesperado: um ativista em uma ilha deserta. Mas ao contrário do clichê, Guto Zorello não quer ajuda para ser retirado da ilha. Ele pretende, na verdade, retirar a ilha do local, que surgiu devido ao baixo nível das águas da represa.

Morador da comunidade agroecológica @a.matoca, projeto coletivo que visa contribuir com a regeneração da vida na Terra, e cofundador do coletivo “porquenão?”, portal de mídia independente responsável por promover debates sobre conscientização ambiental, o ativista está acampado na ilha, que possui cerca de 38.880 metros quadrados, ou quase 5 campos de futebol, em uma iniciativa para alertar sobre a situação crítica do país e mobilizar empresários para que suas empresas conheçam as diretrizes da Rede Brasil do Pacto Global da ONU, a maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo, que convida o setor privado a assumir compromissos de implementar os 10 Princípios do Pacto Global em suas estratégias de negócio e operações diárias.

Em meio a tantas campanhas para salvar animais, rios, oceanos, florestas e ilhas em risco de desaparecer, no Brasil as Mudanças Climáticas, contribuem para a diminuição ainda maior do volume de chuvas na região e gerou a maior seca dos últimos 90 anos. Como consequência, além de todo impacto ao meio ambiente, o preço da energia elétrica subiu quase 3 vezes mais que a inflação em 2021, deixando as contas 50% mais caras. “Todas e todos temos que fazer as nossas partes: governos, sociedade civil e setor privado precisam agir contra as mudanças do clima. Essa ilha é um símbolo da falta de consciência e de comprometimento de muita gente. Afundar a ilha é renovar a nossa esperança de futuro”, disse Zorello.

Nos próximos dias, será possível acompanhar o dia a dia do náufrago-ativista na ilha nas redes sociais no perfil @gutozorello. Lá, ele também vai postar dados e informações sobre as mudanças climáticas, a crise hídrica e outras consequências dessa grave crise humanitária. Mais informações no site da campanha: 

Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o lago da Usina Hidrelétrica de Jurumirim tem um reservatório com área de 449 km² - contendo um volume de água quase quatro vezes maior que o da Baía de Guanabara no Rio de Janeiro – capaz de armazenar 34,42% de água do subsistema do Rio Paranapanema e gerar 100,96 MW.

Desmatamento na Amazônia
Em 2021 a Amazônia registrou o pior nível de desmatamento dos últimos 15 anos, foram mais de 13 mil km² da floresta derrubados (*1). Uma área do tamanho das Bahamas ou da Irlanda do Norte. E maior que a Jamaica, Líbano e as Ilhas Malvinas. A cobertura da floresta amazônica esta totalmente ligada ao regime de chuvas do sudeste. A convergência de ventos da região amazônica traz a umidade do ar gerada pela transpiração das árvores para a região sudeste, onde se precipita em forma de chuvas.

O Brasil tem 12% de água doce disponível no planeta, mas nos últimos 30 anos, perdeu 15,7% de sua superfície de água, o que representa 3.100 km2 (*2), uma área equivalente a metade da Palestina. E em razão do desmatamento, o Brasil é o quarto maior emissor de gases de efeito estufa.

Na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2021 (COP-26) em Glasgow, o país se comprometeu a acabar com o desmatamento até 2030. No entanto, a realidade dos números mostra que estamos em um caminho contrário.


* 1 - De acordo com dados divulgados pelo Inpe
* 2 - MapBiomas, do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima (SEEG/OC)

 

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