SDG Pioneers: Entrevista com Sonia Consiglio Favaretto, SDG Pioneer 2016

Dezembro 2021- Além de poder contar com este importante reconhecimento global recebido em 2016 em seu currículo, Sonia atualmente é presidente do Conselho Consultivo da GRI Brasil, Vice-presidente do Conselho Técnico Consultivo do CDP LA, membro do Conselho Técnico do Instituto Ekos Brasil, conselheira de empresas e atua há 15 anos com sustentabilidade. Em entrevista, ela compartilha sua visão sobre o atual momento do setor e os principais desafios para 2022.

1. Como você vê a retomada sustentável?
Eu acredito que teremos uma retomada pós crise da COVID-19 que privilegia as decisões voltadas ao desenvolvimento sustentável. A pandemia mostrou pela dor que o mundo é interconectado, uma questão de saúde social relacionada ao meio ambiente colocou a economia em lockdown. Então, por essa força da crise interconectada, eu entendo que países, governos, G-20, FMI, todas as vozes que eu escuto, clamam por uma retomada sustentável.

Há dois dados que gosto de citar. Um da McKinsey & Company que fez um estudo chamado "O novo normal chegou: tendências que definirão 2021 - e o futuro". Nele, eles definem que verde é a cor da recuperação. Na crise financeira de 2008 houve programas de estímulo ao governo, mas poucos países incorporaram ações climáticas e ambientais e, dessa vez, é diferente. Então, quando comparamos a crise de 2008 com a da Covid-19, percebemos que a primeira foi puramente econômica e agora, além deste fator, é também social e ambiental. Por isso entendo e concordo que a gente tende a ter uma recuperação sustentável.

E, por fim, a declaração final do G-20, na COP deste ano, deixou muito claro que todos estão muito preocupados com o impacto da pandemia, que atrasou os progressos em relação à Agenda 2030, mas que reafirmam o compromisso como a resposta global para acelerar o progresso em relação aos ODS e apoiar o processo sustentável e uma recuperação inclusiva e resiliente em todo o mundo.


2. Como você vê a conexão ODS e ESG?
O ODS é a macro agenda. Uma agenda global, definida a nível de país, com desafios que temos que alcançar com prazo até 2030. É nossa grande bússola e mapa, que nos mostra os desafios que temos que vencer como mundo. ESG é a aplicação das questões sociais, ambientais e de governança junto com as econômicas-financeiras no dia a dia da corporação - é a prática. São as questões que temos que integrar na gestão, no desenvolvimento de produtos e planejamento estratégico para transformar o modelo atual. O ESG resume a agenda em termos de implementação. Tudo o que fazemos de ESG na empresa colabora para atingirmos os ODS.


3. Qual a importância de iniciativas de reconhecimento, como o SDG Pioneers, para o avanço dos ODS?
Eu acredito que prêmios como esse são absolutamente relevantes. Primeiramente porque eles reconhecem uma trajetória, para que a pessoa entenda que tudo que ela tem desenvolvido é relevante e que deve continuar naquela jornada. Em geral, são pessoas com poder de influência e esse tipo de reconhecimento ajuda a avançar junto aos demais que estão na equipe. São importantes também para sinalizar caminhos, pois quando você reconhece uma pessoa, uma empresa, você sinaliza uma boa prática. Com isso, conseguimos acelerar a quantidade de iniciativas desenvolvidas rumo ao atingimento dos ODS.

Os prêmios são fundamentais, temos que explicitar as coisas boas que são realizadas. O SDG Pioneer, por sua vez, tem a particularidade de reconhecer pessoas que trabalham pelo avanço do ODS, ficando ainda mais claro o quanto o prêmio contribui para o avanço do desenvolvimento sustentável ao trazer pessoas, práticas e estratégias que se relacionam com o alcance dos ODS.


4. Qual ponto-chave para que a alta liderança abrace a jornada em sustentabilidade da empresa?
São dois desafios que coloco para um avanço consistente dessa jornada: conhecimento e liderança. Enquanto a liderança não entender profundamente do que estamos falando, ela não vai se engajar. Vai continuar achando que é uma agenda paralela ou que uma área específica pode cuidar. Os especialistas em sustentabilidade têm que investir um bom tempo explicando a melhor estratégia para que haja maior letramento em sustentabilidade para a alta liderança.

A liderança tem que entender os desafios, o porquê de migrar para uma economia de baixo carbono, o porquê temos que investir em sustentabilidade, qual é a conexão de ESG com o econômico-financeiro. Na minha visão o ponto chave é entendimento e conhecimento. Toda a alta liderança é inteligente, perspicaz. Quando percebe que algo é relevante, ela se engaja e faz a jornada acontecer.


5. 2022 chegou, e agora?
2022 chegou. Chega em um cenário de incerteza em relação à Covid. É uma pandemia muito profunda e seguimos muito atentos aos encaminhamentos de fato. Do ponto de vista da sustentabilidade é, sem dúvida, um ano pra gente não deixar o movimento arrefecer. Manter o engajamento, a divulgação e a pauta viva. Acelerar na implementação. Avançamos demais em 2021, muitos instrumentos vieram para o mercado, muitos novos atores engajados. A COP-26 trouxe uma série de compromissos fundamentais e estruturantes. Então o novo ano chega e nele temos que investir muito e sempre em liderança engajada, pauta viva, mais mobilização e implementação rumo ao mundo que queremos, à Agenda 2030. 


Sobre:
Esta entrevista faz parte da 5ª edição da Newsletter Ação pelos ODS, produzida mensalmente pela plataforma de mesmo nome com o que há de mais atualizado em termos de iniciativas que promovem a Agenda 2030. Se você é membro da Rede Brasil e ainda não faz parte, acesse e saiba como se engajar.

Clicando aqui você confere mais informações sobre o programa SDG Pioneers e como você pode se inscrever ou indicar um colega para concorrer ao reconhecimento. 

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