Rede Brasil do Pacto Global levanta fundos para reflorestamento em evento internacional pelo clima

Leilão de obras de arte acontece durante evento paralelo à Assembleia Geral das Nações Unidas, e faz parte de ampla iniciativa de ação climática

São Paulo, setembro de 2019 – Com o apoio de celebridades como as modelos Fernanda Liz e Lais Ribeiro, a Rede Brasil do Pacto Global lança na quinta-feira (26), em Nova York, uma iniciativa de levantamento de fundos para reflorestamento. Uma obra dos artistas plásticos Gêmeos, paulistanos famosos mundialmente pelo grafite, será leiloada em evento paralelo à Assembleia Geral da ONU, como parte da ampla frente de atuação da Rede Brasil do Pacto Global, que inclui diversas ações voltadas ao clima, compiladas dentro da Action4Climate Brasil.

Os fundos arrecadados serão usados em projetos de restauração, reflorestamento e regeneração natural de terras desmatadas e degradadas. O Brasil se comprometeu com o Acordo de Paris a reduzir em 37% suas emissões de gases de efeito estufa até 2025, e em 43% até 2030. Para isso, precisa recuperar 12 milhões de hectares de terras. A Rede Brasil trabalha no engajamento do setor privado para que a restauração ganhe escala.

O evento com arrecadação de fundos e engajamento de celebridades em Nova York faz parte da iniciativa Action4Climate, lançada pela Rede Brasil do Pacto Global para promover ações climáticas baseadas em metas definidas pela ciência. Elas envolvem 3 frentes: mitigação, ou redução dos efeitos da mudança do clima; meios de implementação, ou seja, formas de garantir o financiamento e execução das ações; e adapatação, que corresponde a projetos para ajudar as empresas a lidar com mudanças previstas ou em andamento.

No contexto da Action4Climate, a Rede Brasil está envolvendo as empresas em uma campanha mundial do Pacto Global para limitar o aumento da temperatura global a 1.5º C acima de níveis pré-industriais e chegar ao objetivo de zero emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE) antes de 2050. No Brasil, Malwee, Natura e Klabin assumiram compromisso público com as metas baseadas na ciência e definidas pelo Science Based Targets Initiative (SBTi), instituição independente que avalia a redução de emissões de gases das indústrias resultado de parceria entre CDP, Pacto Global, WRI e WWF. Outras 87 empresas em todo o mundo estão envolvidas.

Para as empresas que ainda não se sentem confortáveis com a meta de 1.5º C, a Rede Brasil lançará durante a COP25, no Chile, um guia de implementação para a adaptação gradual ao tema e o compromisso de assumir a meta de 1.5º C em um futuro próximo. A Rede também está promovendo capacitações em precificação de carbono para gerar mais conhecimento sobre iniciativas de mitigação das mudanças do clima.

Precificar carbono significa atribuir um preço às emissões de gases causadores do efeito estufa (GEE), cuja concentração elevada colabora para a mudança do clima. Apesar de contarmos com fatores que nos diferenciam dos demais países, como uma matriz energética mais limpa, a nossa média de emissão per capita está acima da mundial, 8,5 contra 7,5 toneladas por habitante no mundo.

De acordo com dados do Banco Mundial, 57 ações de precificação de carbono já foram implementadas ou estão em fase de implementação ao redor do mundo. Em 2018, a receita decorrente da precificação chegou a US$ 66.6 bilhão, embora as iniciativas existentes cubram apenas 20% das emissões globais. No Brasil, o setor tem potencial para crescer nos próximos anos. De acordo com o FMI, a receita decorrente da precificação de carbono pode ser responsável por mais de 1% do PIB brasileiro em 2030.

Mobilização global

Subiu para 87 o número de grandes empresas globais – com um valor de mercado somado equivalente a mais de US$ 2,3 trilhões anuais e emissões de Gases de Efeito Estufa (GEEs) equivalentes a 73 usinas de carvão – que estão agindo para alinhar seus negócios às Metas Baseadas em Ciência e, assim, limitar os piores impactos da mudança do clima. Em resposta a uma campanha criada em junho por um grupo de empresários, sociedade civil e líderes das Nações Unidas, as companhias signatárias representam mais de 4,2 milhões de trabalhadores de 28 setores diferentes, localizadas em pelo menos 27 países. Elas prometem implementar metas climáticas em suas operações com o objetivo de limitar a temperatura média global em 1.5°C acima dos níveis pré-industriais. 

Enquanto isso, líderes mundiais se reúnem em Nova York para a Cúpula do Clima da ONU, sediado pelo Secretário Geral das Nações Unidas, António Guterres. A Cúpula provê uma oportunidade para que governos, negócios e outros parceiros apresentem planos de ação claros alinhados ao recente relatório do Painel Intergovernamental da Mudança do Clima (Intergovernmental Panel on Climate Change em inglês, ou IPCC), que alertou sobre as consequências catastróficas caso o aquecimento exceda os 1.5°C. 

"É encorajador ver os pioneiros do setor privado se alinharem com a sociedade civil e com governos ambiciosos, intensificando o apoio a um futuro de 1.5° C", disse Guterres. "Agora precisamos de mais empresas para participar do movimento, enviando um sinal claro de que os mercados estão mudando".

Guterres desafiou governos a estarem presente na Cúpula e anunciarem planos nacionais de ação climática com metas de zero carbono renovadas e pensadas a longo prazo. Ao demonstrarem apoio, as empresas passam a liderar um ciclo de feedback positivo conhecido como “ciclo de ambição” – com governos e lideranças do setor privado reforçando suas próprias ações, e alçando a um novo patamar a ação climática. Elas estão comprometidas a estabelecer Metas Baseadas em Ciência (Science Based Targets initiative em inglês, ou SBTi), que cria um quadro independente de metas de redução de emissão para o ambiente corporativo, em conformidade com os objetivos do Acordo de Paris. 

Reconhecendo a liderança corporativa na ação climática durante o UN Global Compact Private Sector Forum – almoço oficial no UN Climate Action Summit – Lise Kingo, CEO e diretora executiva do Pacto Global, disse que “essas empresas corajosas estão liderando um caminho rumo a um ponto positivo no qual as estratégias corporativas alinhadas ao 1.5°C serão o novo padrão para os negócios e suas cadeias de fornecimento no mundo. Esse é o tipo de transformação que precisamos para endereçar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) para as pessoas e para o planeta”. 

 

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