Empresas com Refugiados: plataforma de apoio à integração é lançada em SP

O crescente número de pessoas que buscam refúgio no Brasil - em 2018, foram cerca de 80 mil solicitações formais, segundo dados da Polícia Federal – faz com que agentes públicos, setor privado e ONU se mobilizem na busca de soluções para o acolhimento digno desse grupo. Pensando na ampliação do acesso ao mercado de trabalho, a Rede Brasil do Pacto Global e a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), com o apoio da ONU Mulheres, lançaram no dia 03 de abril, em São Paulo, a plataforma online Empresas com Refugiados, um banco de boas práticas e incentivo a empresas na causa da integração de pessoas em situação de refúgio.

 

Lançamento da plataforma Empresas com Refugiados em São Paulo (Foto: Fellipe Abreu)

A plataforma é também um produto da terceira edição do projeto Empoderando Refugiadas – iniciativa do ACNUR, Rede Brasil do Pacto Global e ONU Mulheres que promove a capacitação e o acesso de mulheres ao trabalho no Brasil, além da sensibilização das empresas e organizações para a contratação. O intuito da plataforma é levar as lições aprendidas e metodologias utilizadas no projeto a outras empresas. “O Empoderando Refugiadas tem resultados excelentes e é premiado no mundo todo. Porém, precisamos dar escala à empregabilidade e é por isso que lançamos a plataforma” – afirmou Carlo Pereira, secretário executivo da Rede Brasil do Pacto Global.

Além da questão humanitária, as diferentes experiências que os refugiados carregam são uma contrapartida interessante para as empresas que buscam mais diversidade em seus ambientes. Segundo Paulo Sérgio de Almeida, Oficial de meios de vida do ACNUR, pessoas em situação de refúgio “trazem experiência de vida, sua profissão e sua visão de mundo para os países que os acolhem. E nos parece fundamental que os países acolhedores possam dar oportunidade para que estas pessoas demonstrem seu valor. E isso só é possível através do trabalho”.

 

Painel Empresas com Refugiados

O evento também trouxe representantes de empresas que foram instigados a compartilhar suas experiências tanto na contratação de refugiados quanto em projetos de apoio a este grupo no Brasil. Com moderação de Eliane Figueiredo, do Grupo Mulheres do Brasil, compuseram a mesa de debate profissionais da Mapfre, Consulado da Mulher (iniciativa social da Consul) e Mattos Filho.

Com foco na empregabilidade e empreendedorismo e utilizando-se de parcerias com outras instituições, Mapfre e Consulado da Mulher têm projetos que, apesar de distintos, compartilham experiências positivas em comum. De acordo com Jisley Bontempo, representante da Mapfre, “Ao empregar um refugiado, empresas têm acesso a histórias de vida muito diferentes e isso impacta o ambiente. O grupo se torna mais resiliente, mais empático.”

Alessandro Carvalho, do Consulado da Mulher, completa que “o trabalho de adaptação às diferenças culturais às vezes é difícil, mas é gratificante ver que foi possível alcançar resultados para a empresa e para as pessoas.”

Já o escritório de advocacia Mattos Filho oferece atendimento jurídico pro bono a pessoas em situação de refúgio, assim como a outros grupos em situação de vulnerabilidade. “Há uma assimetria no acesso à justiça no Brasil tanto para brasileiros quanto para imigrantes e refugiados, e a forma que encontramos para endereçar isso foi apoiando organizações sem fins lucrativos, atendendo pessoas e quem pensa em melhoria nas políticas públicas”, relatou Bianca Waks, advogada da Mattos Filho.

Conheça outros cases de empresas com foco em refugiados

 

Encerramento da terceira edição do Empoderando Refugiadas

O encontro, realizado na WeWork, em São Paulo, também marcou o encerramento da terceira edição do Empoderando Refugiadas, que teve início em agosto de 2018. Durante a edição, foram realizadas uma série de treinamentos, dinâmicas de contratação e capacitação de empresas. 50 mulheres refugiadas participaram dos encontros, sendo que 30 foram participantes regulares e certificadas ao final do projeto. Ao todo, a iniciativa, que começou em 2015, já atendeu 110 mulheres, das quais 30 foram empregadas*.

Entre as empresas parceiras do projeto que desenvolveram suas próprias inciativas, destacam-se a Sodexo, que contratou 46 pessoas em situação de refúgio no Brasil em 2018, e o Instituto Lojas Renner, que promoveu a capacitação de 117 refugiados nas áreas de Costura e Modelagem e Atendimento e Vendas para varejo.

Assim como afirmou Adriana Carvalho, gerente dos Princípios de Empoderamento Feminino (WEPs) da ONU Mulheres, a necessidade da inclusão da mulher no mercado de trabalho também é inerente à questão do refúgio. “Quando surge uma crise humanitária como esta e, com ela, as possíveis soluções, a perspectiva de gênero é necessária. Quando incluímos as mulheres neste processo de reconstrução, pensando nas suas especificidades, encontramos soluções muito melhores.”

Rama, refugiada síria que participou da terceira edição do projeto e foi contratada pela empresa Fox Time, deu um emocionante depoimento sobre como o trabalho transformou sua vida no Brasil. Segunda ela, por meio do emprego formal, conseguiu dar conforto às suas filhas no país e ganhou uma nova família. “Meus colegas de trabalho hoje também são meus amigos e minha família no Brasil, sou muita grata a tudo que fazem por mim”, disse.

Confira outros depoimentos de participantes

 

Rama, imigrante refugiada síria, foi uma das participante do projeto que conseguiu colocação no mercado de trabalho (Foto: Fellipe Abreu).

O evento se encerrou com homenagem às refugiadas presentes na cerimônia e com um painel de debate, onde parceiros e colaboradores do Empoderando Refugiadas puderam relatar os benefícios do projeto e como vêm avançando em torno da questão do refúgio por meio de suas próprias ações e iniciativas. Participaram do painel representantes das instituições Carrefour, Sodexo, Renner, ABN AMRO, Pfizer, Fox Time, EMDOC/PARR, We Work e Mulheres do Brasil.

O Empoderando Refugiadas conta com a parceria do Facebook e com os apoios de ABN AMRO, Carrefour, Lojas Renner, Pfizer e Sodexo. A iniciativa tem ainda os parceiros estratégicos Consulado da Mulher, Fox Time, Grupo Mulheres do Brasil, Programa de Apoio para a Recolocação dos Refugiados (PARR) e WeWork.

 

*Os números ainda não são finais, pois várias participantes do projeto ainda estão em processo de seleção para o mercado de trabalho.

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