Rede Brasil lança estudo de vanguarda para o setor elétrico
Vice-presidentes da Rede Brasil do Pacto Global e diretora de sustentabilidade da Enel Brasil, Marcia Massotti, apresentou o documento no Fórum Pacto Global. Foto: Fellipe Abreu/Pacto Global.

 

Luiza Fernandes

Um dos momentos do Fórum Pacto Global 2018 destinou-se ao lançamento do estudo Integração dos ODS no Setor Elétrico Brasileiro, que foi apresentado pelos vice-presidentes da Rede Brasil do Pacto Global Marcia Massotti, diretora de sustentabilidade da Enel Brasil, e Rodolfo Sirol, diretor de sustentabilidade da CPFL Energia. De acordo com Massotti, a escolha pelo setor energético para a realização do estudo se deve pois a energia é fundamental para o crescimento econômico. “Sem energia, não há produção”, enfatizou. Ela destacou também o diferencial brasileiro em relação a outros países por ter fontes renováveis como a principal matriz energética nacional, ainda assim ponderando a necessidade de amadurecer a sustentabilidade deste mercado. “O setor energético tem grande capacidade de crescimento, mas há impacto. Como viver em um contexto de mudanças climáticas? Precisamos pensar ‘como o meu país vai contribuir para o atingimento dos ODS?’ ”.

Resultado de parceria entre a Rede Brasil do Pacto Global, Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FEA-RP/USP) e Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o estudo consiste em entender como as empresas do setor de energia brasileiro estão se comprometendo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e Agenda 2030. Pioneira em seu tipo, a iniciativa é encabeçada por CPFL Energia e Enel, possuindo o apoio fundamental da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), que atua há mais de dez anos no incentivo da gestão sustentável das distribuidoras de energia no Brasil.

Massotti enfatizou a importância dos trabalhos em parceria para a realização da publicação, que conseguiu englobar todos os setores do mercado de energia do Brasil, sendo eles distribuição, geração, transmissão e comercialização — o setor de distribuição, especificamente possui mais de 96% de adesão. Outro ineditismo da iniciativa é o trabalho em sinergia entre dois Grupos Temáticos da Rede Brasil o Pacto Global, Energia e Clima e o GT ODS, o que evidencia procura do setor em caminhar em direção a uma agenda sustentável, que esteja alinhada aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e às ações estratégicas do meio empresarial.

Rodolfo Sirol destacou a amplitude da discussão proporcionada pela diversidade de empresas que participaram da iniciativa, o que resultou em uma análise de altíssimo nível. “A principal ferramenta metodológica do estudo é como você identifica o levantamento das práticas, como elas estão disseminadas e o principal seria o envolvimento de empresas para chegarmos a um consenso geral do que é o setor elétrico e seus impactos”. O SDG Compass, guia de implementação dos ODS para o setor privado, foi uma das principais ferramentas metodológicas e ajudou a entender em que estágio cada uma das empresas do setor está quanto a adoção dos ODS em sua estratégia de negócios. De um total de 20 companhias participantes, 50% destas, sejam de geração ou distribuição e transmissão, consideram ODS em sua estratégia de negócios no alinhamento de boas práticas, 20% já incluem o tema em documentos oficiais e públicos da empresa e apenas 10% do total ainda não possuem previsão de comprometimento com a agenda 2030.

Outro ponto investigado no estudo foi a motivação do setor privado para trabalhar com os ODS. Sirol destacou que 65%, a porcentagem mais alta, querem alinhar sua estratégia a sustentabilidade corporativa, enquanto 15% buscam transformar o ambiente de negócios do setor, visando resultados a longo prazo. Para ele, o objetivo principal a ser perseguido é justamente este último. “O resultado a longo prazo é o crescimento de uma economia inclusiva e ambientalmente adequada”, ressaltou. O vice-presidente da Rede Brasil do Pacto Global elencou o alinhamento das empresas em relação ao que é prioritário como um grande desdobramento do estudo, pois, deste ponto de partida, é possível estabelecer uma diretriz de atuação a nível nacional — o que traz um efeito multiplicador sobre os resultados. “A partir da iniciativa realizada pela Rede Brasil, conseguimos ter uma opinião do setor elétrico para conseguir dar um passo além”, concluiu. Sirol lembrou também que este ano há oportunidades efetivas de mudança graças as eleições, sendo importante pensar nos candidatos que serão votados.

O Fórum Pacto Global contou com o apoio da Braskem, BRK Ambiental, Vale, Basf, FDC, Copel, EDP, Enel, PWC Brasil, Sanofi, Editora Brasileira e World Observatory of Human Affairs.

 

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