Fórum Pacto Global discute desafios para integração dos ODS nas empresas

 

 

O Fórum Pacto Global, iniciativa da Rede Brasil do Pacto Global das Nações Unidas, foi realizado no dia 16 de maio, no Masp, em São Paulo. A atriz, escritora e embaixadora da paz, Maria Paula Fidalgo, abriu e conduziu o evento, que reuniu uma audiência de cerca de 400 pessoas e registrou mais de mil visualizações pela internet. Os painéis discutiram os avanços e as perspectivas da sustentabilidade empresarial ao tratar da estratégia dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nas empresas. Palestrantes nacionais e internacionais destacaram o papel das organizações no combate à corrupção, na gestão da água, no empoderamento feminino e em questões de direitos humanos.

“Somos uma das maiores iniciativas de cidadania corporativa no mundo. O Pacto no Brasil começou com a participação de 28 empresas e hoje conta com 751 signatários, a terceira maior rede (considerando os países onde o Pacto Global está presente). Para o nosso desenvolvimento sustentável, é essencial que os ODS e a Agenda 2030 façam parte da atividade empresarial. As empresas representam uma grande parte da nossa sociedade e, por isso, precisam fazer parte do movimento em busca de uma sociedade melhor para todos, sem que ninguém fique para trás”, destacou a presidente do Pacto Global, Denise Hills.

O Pacto Global quer contribuir para que as empresas brasileiras avancem na criação de resultados mais sustentáveis para a sociedade e para os negócios e por isso lançou uma nova estratégia para a implementação dos ODS. Essas diretrizes preveem um ciclo que passa por diversas etapas. Uma delas é o Prêmio ODS, lançado durante o Fórum e anunciado pela SDG Pionner 2017 Sônia Favaretto, que reconhecerá iniciativas de líderes empresariais que estejam incorporando os ODS em atividades no Brasil. A reestruturação do Pacto Global significa também a arrecadação de recursos que serão disponibilizados para que o processo ocorra de fato.

 

Novos estudo e publicações

O painel “Combate à corrupção” reuniu representantes de diversos setores da sociedade e mostrou que a luta contra este problema é de todos. Durante o debate, aconteceu o lançamento de um guia inédito, feito pelo Pacto Global com o apoio das próprias construtoras envolvidas em casos de corrupção, para evitar que situações como estas, vivenciadas recentemente, voltem a ocorrer na construção civil. São apresentados 13 possíveis cenários e, para cada um deles, o guia traz os comportamentos que devem ser seguidos.

Um estudo sobre a aderência das empresas elétricas brasileiras aos ODS, conduzido por pesquisadores da USP e PUC-SP, também foi apresentado no Fórum. O levantamento apontou que 50% das companhias avaliadas ainda não consideram os ODS como referência para estruturação ou revisão da estratégia e gestão de seus negócios.

Houve o lançamento em português do primeiro documento que atribui indicadores aos ODS, a publicação An analysis of the goals and targets, uma iniciativa do Pacto com a Global Reporting Initiative (GRI) e a PwC. O documento mostra como as empresas podem reportar dados referentes a cada um dos ODS e, dessa forma, dar mais um passo para inserir a Agenda 2030 em seus negócios. Foi apresentado pelo diretor das Redes Locais Américas no UN Global Compact, Javier Cortés, pelo secretário executivo da Rede Brasil do Pacto Global, Carlo Pereira, e pelo CEO Global da GRI, Tim Mohin.

 

Destaques

Um dos principais destaques do evento aconteceu no talk sobre empoderamento feminino. A jornalista e escritora Eliane Brum trouxe um panorama da realidade da mulher brasileira, com inúmeros exemplos de violência, e emocionou a plateia. A gerente dos Princípios de Empoderamento das Mulheres na ONU Mulheres, Adriana Carvalho, mostrou, entre outros dados, que o Brasil ocupa o 5º lugar no ranking mundial de assassinatos de mulheres e que apenas 10% ocupam cargos na política. No painel “70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos: o papel das empresas”, foi destaque a presença da executiva Rachel Maia e da advogada transexual Márcia Rocha, que ressaltaram a invisibilidade da mulher negra nas empresas, principalmente nos cargos executivos.

O Fórum Pacto Global contou com o apoio da Braskem, BRK Ambiental, Vale, Basf, FDC, Copel, EDP, Enel, PWC Brasil, Sanofi, Editora Brasileira e World Observatory of Human Affairs.

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