Desperdício de água no saneamento básico causa prejuízo de R$ 10,5 bilhões ao ano

Por: Mateus Ferreira

Um estudo encomendado pelo movimento Menos Perda, Mais Água da Rede Brasil do Pacto Global, liderado pela Braskem e Sanasa, mostra que, no Brasil, o desperdício de água na distribuição causou a perda no faturamento de cerca de R$ 10,5 bilhões no ano de 2016 para o setor de saneamento básico, correspondendo a um volume total de 7 mil piscinas olímpicas de água doce desperdiçadas por dia. Entre as principais causas estão os vazamentos de tubulação, erros de leitura de hidrômetros, roubos, fraudes, entre outras. Realizado pelo Instituto Trata Brasil, em parceria com a GO Associados, o estudo será lançado no dia 7 de junho durante painel especial da 20ª Semana do Meio Ambiente, na Fiesp, em São Paulo.

Evolução de perdas na distribuição de água no Brasil no período entre 2012 e 2016 (Fonte: Instituto Trata Brasil)

Os números ainda mostram que, no mesmo ano, o país desperdiçou cerca de 38% da água potável, o maior número em relação aos quatro anos anteriores. O cálculo é feito com base na medologia da International Water Association (IWA), que classifica as perdas em duas categorias: reais e aparentes. As perdas reais equivalem ao volume de água perdido durante as diferentes etapas do processo – captação na natureza, tratamento, armazenamento e distribuição – antes de chegar ao consumidor final. Já as perdas aparentes, também denominadas perdas comerciais, correspondem aos volumes de água consumidos mas não autorizados nem faturados – decorrentes de fraudes, ligações clandestinas ou mesmo por falhas no cadastro comercial e erros na medição dos hidrômetros.

Os números se tornam ainda mais preocupantes quando comparados com o investimento total realizado pelo setor em saneamento: as perdas no faturamento de R$ 10,5 bilhões representaram 92% do investimento total no ano de 2016 (R$ 11,5 bilhões). Em uma comparação a nível internacional dos recordes no percentual anual de perdas de água entre os anos de 2012 e 2016, o Brasil se encontra na 8ª posição no ranking geral de países.

Ranking do índice de perdas de água por país (Fonte: Ibnet).

Situação nas 100 maiores cidades

Entre os 100 maiores municípios brasileiros, responsáveis por abrigar cerca de 40% da população do país, o percentual de perdas de água na distribuição é de 39%, sendo que apenas 20% da amostra tem perdas inferiores a 30%. Dentre todos os municípios, apenas a cidade de Palmas (TO) tem o Índice De Perda Na Distribuição (IPD) inferior a 15%.

Ranking do Índice de Perdas na Distribuição (IPD) entre as 100 maiores cidades brasileiras. (Fonte: Trata Brasil)

Levando em conta o Índice de Perda no Faturamento (IPF), 70% da amostra tem perdas de faturamento superiores a 30% e apenas 10 municípios possuem níveis de perdas de faturamento total iguais ou menores a  15%.

Ranking do Índice de Perda no Faturamento (IPFT) entre as 100 maiores cidades do Brasil (Fonte: Trata Brasil)

Entre os destaques positivos, Limeira (SP) e Santos (SP) apresentam indicadores de perdas na distribuição de água e perdas de faturamento total inferiores a 20%, além de contarem com consistência entre os indicadores (pouca variação).

Agenda para aumento da eficiência no sanemeamento

Numa projeção de três cenários para a redução nas perdas de água e consequentes benefícios econômicos para o país, o estudo definiu para 2033 reduções da média nacional (38%) para 15% (cenário otimista), 20% (base) e 25% (conservador). Caso o índice de perdas de água  total no país diminua para o cenário base (20%), é calculado um ganho bruto de R$ 59,2 bilhões até 2033.

Para alcançar estas metas, o estudo traz um conjunto de estratégias que combinam ações para a melhoria da gestão e técnicas que permitem quebrar os paradigmas em relação às dificuldades comumente apontadas pelas empresas. Entre as estratégias citadas no estudo, destacam-se:

  • Criar contratos com incentivos e foco na redução de perdas, como contratos de performance, parcerias pública-privadas e parcerias público-público;
  • Direcionar maior financiamento para ações dessa natureza. Há uma necessidade de aumentar o financiamento para programas de redução de perdas no âmbito federal;
  • Gerenciar o controle de perdas: implementação de planos de gestão de perdas baseados no conhecimento do sistema, indicadores de desempenho e metas preestabelecidas;
  • Entender as dificuldades para a setorização dos sistemas de abastecimento, acompanhado de um plano de médio e longo prazo com ações para o controle;
  • Aumentar o índice de hidrometração dos diversos sistemas e utilizar hidrômetros de maior precisão;
  • Melhorar a macromedição nos sistemas de abastecimento de água para permitir uma melhor aferição dos indicadores de perdas;
  • Criar e monitor programas de redução de perdas sociais com a participação dos atores envolvidos; e
  • Replicar experiências exitosas de operadores públicos e privados nas regiões mais deficitárias, especialmente as Regiões Norte e Nordeste, onde se situam os maiores desafios.

 

Confira o estudo completo.

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