Como as empresas podem ajudar na agenda LGBTI?

 

O diretor Ariel Nobre junto com o rapper Tiely Queen e a atriz Rubi de la Fuente em debate no encerramento da mostra TransDocumenta. Foto: Léu Britto.

 

De Maria Garcia

“Parem de nos matar e comecem a nos contratar” é o lema do filme TRAN$RICO, do diretor Ariel Nobre, exibido durante o encerramento da Mostra TransDocumenta nesta segunda-feira (9). Ao trazer à tona o universo trans e seus desafios, o evento ambientado em São Paulo mostrou a importância de estimular a inclusão de pessoas LGBTI no mercado de trabalho do país que mais mata pessoas trans no mundo – em números absolutos.

Empresas podem ajudar a agenda LGBTI apoiando e participando de iniciativas que traçam como meta o fim da discriminação. São a partir de ações simples e conscientes que pessoas trans podem se sentir menos marginalizadas, tanto socialmente quanto profissionalmente. Veja abaixo alguns exemplos:

 

  1. Firme compromissos de conduta para sua empresa

É importante que empresas engajadas na inclusão e respeito a pessoas LGBTI firmem compromissos com organizações especialistas. Novos instrumentos permitem que, cada vez mais, a empresa garanta um padrão no qual vigora o respeito aos direitos humanos dos clientes, fornecedores e funcionários. Além disso, conecta-se e interage com todos os setores da sociedade, aprimorando sua competitividade.

Uma das iniciativas é a campanha Padrões de Conduta para Empresas, do Movimento Livres & Iguais e promovido pela Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH). Em visão geral, os  cinco padrões de conduta foram produzidos com base nos Princípios Orientadores da ONU sobre Empresas e Direitos Humanos para ampliar o escopo de engajamento das empresas com diversos setores da sociedade. Mais de 140 empresas ao redor do mundo já apoiam esse padrão de conduta, que inclui:

  • Respeito aos direitos humanos de funcionários, clientes e membros da comunidade LGBTI.
  • Eliminação da discriminação contra funcionários LGBTI no local de trabalho.
  • Apoio funcionários LGBTI no trabalho.
  • Não discriminação de clientes, fornecedores e distribuidores LGBTI – e insistência para que parceiros de negócios também não discriminem.
  • Defesa dos Direitos Humanos de pessoas LGBTI nas comunidades onde mantêm negócios..

 

  1. Busque contratar prestadores de seviços que empoderem as pessoas trans

Muitas iniciativas que empoderam pessoas trans e a comunidade LGBT já estão disponíveis no mercado de trabalho. Para realizar a produção dos eventos de abertura da Mostra TransDocumenta, a Rede Brasil do Pacto Global e o Governo do Estado de São Paulo contrataram uma delas. A empresa Transmissão, cujo diferencial é a contratação exclusiva de pessoas trans, oferece há um ano no mercado de São Paulo diversos serviços para eventos como limpeza, performance e segurança. “A empresa não tem um pessoal fixo justamente para gerar essa empregabilidade e dar mais oportunidades a um maior número de pessoas trans”, disse Rubi de la Fuente, idealizadora da companhia*.

 

  1. Busque Bancos de Currículo que prezem pela diversidade

Sua empresa está com vagas abertas e quer mais diversidade na equipe? Busque bancos de currículos que valorizem esse fator. Um deles surgiu do Festival Path, que ocorreu em julho na capital paulista. O Banco de Currículos é resultado de uma parceria com os portais Transempregos e MaturiJobs. São 40 CVs de profissionais que representam a comunidade LGBTI ou outros grupos minoritários. Segundo o estudo da firma global de consultoria estratégica McKinsey & Company, empresas que apostam na diversidade de gênero em suas equipes executivas são 21% mais propensas a ter uma rentabilidade acima da média em relação às outras.

 

  1. Pense em realizar treinamentos na empresa para a diversidade de gênero e sexualidades

Além de conscientizar o setor de Recursos Humanos para pensar em diversidade na hora de contratação, é importante que a pessoa contratada também se sinta respeitada no ambiente de trabalho. A empresa pode  apostar em treinamentos que promovam a diversidade de gênero e a integração de minorias. A Diversity Box, por exemplo, é voltada à inclusão social por meio de ações de educação e comunicação estrategicamente combinadas.

A Mostra TransDocumenta foi promovida pela Rede Brasil do Pacto Global e pelo Governo do Estado de São Paulo, com apoio das empresas Klabin S.A e Proseftur. O evento de encerramento ocorreu no Museu  de Imagem e Som (MIS) em São Paulo.

 

*Entre em contato com a empresa Trasmissão pelo número (11) 98729-0856.

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