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A promotora Maria Gabriela Manssur detalhou os dispositivos legais para a proteção das mulheres
Imagem: Fellipe Abreu/Rede Brasil do Pacto Global

Refugiadas aprendem sobre os direitos das mulheres e a cultura brasileira

Publicado em 13 de abril de 2017

Por Gabriela Bazzo

A Rede Brasil do Pacto Global promoveu no dia 10 de abril, no Instituto Carrefour, em São Paulo, o segundo workshop de 2017 do projeto Empoderando Refugiadas. Cerca de 30 pessoas, entre elas as participantes do projeto, oriundas de diversos países da América Latina, Oriente Médio e África Subsaariana, compareceram ao evento que discutiu principalmente os direitos das mulheres e aspectos da cultura brasileira. Cibele Delbin, consultora de Responsabilidade Social e Diversidade do Carrefour, reforçou o interesse da empresa em contratar refugiadas. “Nosso interesse em trazê-las para fazer parte do nosso quadro é total. E a ideia é agregar valor na vida de vocês, e que vocês percebam mudanças positivas a cada workshop”, disse.

Participante do primeiro encontro do Empoderando, uma refugiada colombiana compareceu ao evento para compartilhar sua experiência. Após o primeiro workshop, em março deste ano, ela foi contratada como atendente de turismo. Sua recolocação no mercado de trabalho foi intermediada pelo Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT), serviço do Governo do Estado de São Paulo, que esteve presente no evento. “Estou muito contente. Acredito que todos nós temos que colocar um grão de areia nessa batalha. Eu e minha família lutamos muito nesse país, desde o primeiro dia. Temos sempre que acreditar que amanhã vai ser melhor”, contou ela, que está há mais de dois anos no Brasil.

Promotora de Justiça do Ministério Público de São Paulo, Maria Gabriela Prado Manssur falou sobre os direitos das mulheres no Brasil e os dispositivos legais com os quais o país conta para protegê-las. “A violência não é uma novidade para as brasileiras nem para vocês, que vêm de países cujo os índices de violência contra a mulher são muito altos”, explicou, pontuando o momento de avanços que o Brasil vive hoje em dia. “Nós estamos vivendo uma fase em que as mulheres estão denunciando as violências no trabalho”, comentou ela, que trouxe casos práticos para ilustrar como situações de assédio devem ser denunciadas.

“Nenhuma mulher precisa passar por algum tipo de constrangimento, seja brasileira ou estrangeira. Tem que denunciar, porque o abusador entende que o silêncio é consentimento, e o silêncio não é. A violência que pode começar com um xingamento, com o isolamento, pode evoluir para uma agressão física ou até mesmo para um feminicídio”, acrescentou a jurista, destacando ainda a importância da independência econômica para o empoderamento feminino.

Língua, cultura e finanças
A segunda parte do encontro foi dedicada a ajudar as refugiadas a compreender aspectos da cultura brasileira e, assim como no encontro ocorrido em março, reforçar a importância do aprendizado do português. Claudia Pirani, da LanguageLand, foi categórica: estudar é algo que se leva para a vida, mesmo que já se tenha muito conhecimento. “Além de falar muito bem, vocês precisam escrever bem e abrir o ouvido. A novela ajuda a inseri-las no ambiente. A música é outra coisa que ajuda muito na questão de sonoridade, vocabulário e expressões”, comentou Claudia, destacando a importância de trazer o aprendizado do idioma para o cotidiano.

Andyara de Santis, da consultoria Aprendizagem para a Sustentabilidade, abordou a educação financeira e a importância de que as mulheres transformem sonhos em planos. Para isso, ela lembrou que as refugiadas podem contar com uma rede de apoio. “A vida é interdependente. É oferecer o que você tem e pedir o que você precisa”. Já Vinicius Paris, da Emdoc, uma consultoria especializada em imigração, comentou particularidades da cultura brasileira, como a burocracia, a afetividade de seu povo e a importância de cuidados como o de fechar um contrato de aluguel.

Erika Zoeller, da BPW, explicou sobre a “cultura do não dito” – aquilo que é tido como norma na sociedade, mas que não está escrito em nenhum lugar – e sobre aspectos como as diferenças culturais entre homens e mulheres. “Quando eu tive meu filho, na China, não sabia que levar comida para o hospital era responsabilidade da família do paciente. Eu já vivia lá há dez anos, mas nunca tinha tido um bebê no país”, contou Erika, em tom descontraído, para exemplificar aspectos da brasilidade que podem parecer estranhos a quem vem de fora do país.

Empreendedorismo
Ao final do dia, as refugiadas participaram de sessões de mentoria sobre carreira e empreendedorismo com profissionais voluntários de empresas como Carrefour, Sodexo, Renner, IBM, Emdoc e da ONG Migrafix. Ao conversar com duas participantes do Empoderando, o Analista de Sustentabilidade da Renner, Leandro Parker, comentou sobre as intenções da empresa em aumentar o número de refugiados em seu quadro.

Segundo Parker, a Renner conta hoje com cinco refugiados, mas vai destinar 75 vagas em cursos de formação – com carga horária de 150 horas – àqueles que vem refazer sua vida no Brasil. O compromisso da alta direção da empresa é de que pelo menos 50% dos alunos dos cursos, que vão acontecer em São Paulo e no Rio, sejam efetivados, seja na Renner ou em outras empresas. “Essa questão é de extrema importância para a gente, por se tratar de mulheres que estão numa situação duplamente vulnerável, não apenas pelo gênero, mas por serem refugiadas. Queremos ser parte da solução porque temos plena consciência de que os problemas do mundo são nossos também”, avalia o analista.

O Empoderando Refugiadas é coordenado pela Rede Brasil do Pacto Global - por meio de seu Grupo Temático de Direitos Humanos e Trabalho -, numa iniciativa conjunta com o ACNUR e a ONU Mulheres. O projeto tem como parceiros estratégicos a Caritas Arquidiocesana de São Paulo, a Fox Time Recursos Humanos, o ISAE e o Programa de Apoio para a Recolocação dos Refugiados (PARR). Além disso, conta com as seguintes empresas parceiras: CarrefourEMDOCFacebookLojas Renner e Sodexo.


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