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Todd Cort ressaltou o potencial da sustentabilidade para investimentos, uma vez que o mercado exigirá num futuro próximo que as empresas calculem, por exemplo, o risco climático de suas operações
Imagem: Luísa Monteiro/Rede Brasil do Pacto Global

'As pessoas que falam de sustentabilidade não são as que falam de finanças'

Publicado em 6 de novembro de 2017

Por Luísa Monteiro

“As pessoas que falam de sustentabilidade não são as que falam de finanças”. Foi assim que Todd Cort, professor da Yale School of Management, da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, resumiu o desafio que a sustentabilidade corporativa encontra na tradução de valores aos investidores durante a palestra “Risco e sustentabilidade: sensibilizando o investidor médio” na FGV São Paulo, no dia 19 de outubro, na capital paulista. O encontro, organizado pela Rede Brasil do Pacto Global, expôs um cenário que se torna cada vez mais comum no mercado mundial: apesar do crescimento dos setores de meio ambiente, sustentabilidade e governança, as empresas precisam adequar seus processos às novas e crescentes expectativas dos investidores.

De perfil analítico, fruto de sua ampla experiência em consultoria financeira, o acadêmico explicou que as formas atuais de mensuração e relato em sustentabilidade corporativa ainda não deixam claro para os investidores quais os fatores que, dentro dela, geram receita. E, na avaliação de Cort, há um grande potencial. Ele ressaltou que, em 2014, o setor já alcançava US$ 21,4 trilhões e que mantém metas robustas e ousadas. Além disso, para controlar a temperatura global em dois graus acima da média pré-industrial, revelou que o mercado deveria investir, até 2030, a quantia anual de US$ 1 trilhão em frentes ambientalmente responsáveis, sejam em infraestrutura, ações ou green bonds.

A discussão apresentada por Cort – trazido pela ESG Compass para palestras em diversos países da América Latina – vem em grande momento: os últimos relatórios da Task Force on Climate-Related Disclosure (TCFD) e do Sustainability Accounting Standards Board (SASB) mostram que, no futuro próximo, o mercado exigirá que as empresas calculem o risco climático. Segundo o professor, já há um movimento do setor privado mundial para que os negócios sejam inovadores e se adaptem ao novo contexto. “Sinto que as empresas desejam ir além da comunicação de suas ações sustentáveis. É interessante perceber que no Brasil elas estão muito envolvidas com o relato corporativo voluntário, como é o caso daquelas que adotam a GRI (Global Reporting Inititative)”, observou.

Todd Cort ainda comentou que já em 2010 as ações de empresas que adotavam práticas ambientais e sociais tinham um desempenho 47% melhor em relação a empresas que não o faziam. De acordo com ele, metas geradas por tratados como o Acordo de Paris e programas com o CEO Water Mandate, além dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), são cada vez mais importantes. “As empresas não devem só cumprir uma agenda empresarial sustentável, medindo e comunicando projetos, mas precisam avançar nela, promovendo inovações que desenvolvam um mercado mais sustentável e lucrativo, cuja consistência em dados e medidas atraia cada vez mais investidores”, afirmou.


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