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Para os painelistas, o agronegócio deve financiar o replantio das florestas brasileiras
Imagem: Fellipe Abreu/Rede Brasil do Pacto Global

Fórum Pacto Global: desafios do setor agrícola no combate às mudanças climáticas

Publicado em 22 de novembro de 2016

Por Daniela Stefano

O setor agrícola brasileiro desempenha um papel importante na redução das emissões de carbono na atmosfera e, consequentemente, pode contribuir para conter as mudanças climáticas. As tecnologias para isso já existem: basta agora o esforço de colocá-las em prática. É o que mostraram os palestrantes do painel “Agricultura na Era das Mudanças Climáticas” do Fórum Pacto Global. O evento ocorreu em 9 de novembro de 2016 no auditório do MASP, em São Paulo.

Segundo Rachel Biderman, Diretora do World Resources Institute (WRI) no Brasil (foto à esquerda), “o momento é crucial, e a hora é de agir conjuntamente para limitar o aumento médio da temperatura global a 1,5 graus, como foi acordado na COP21, em dezembro do ano passado”. Ela comentou que é hora de unir e agir: “Não é mais possível ter embates entre ambientalistas e fazendeiros. Não temos mais tempo para ficar nas polarizações, é preciso colocar em prática as inovações”.

O WRI faz parte da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, iniciativa composta por 150 entidades que se reúne semanalmente com o objetivo de gerar medidas concretas para atingir a meta proposta pela COP21. “O nosso objetivo é levar a humanidade com saúde para o próximo milênio”, declarou. De acordo com Rachel, o Brasil pode contribuir com a melhoria do uso do solo, principalmente com o reflorestamento. Até 2030, será necessário reflorestar 350 milhões de hectares no mundo. “Embora plantar florestas não seja barato, é dessa forma que o Brasil pode e precisa contribuir. Precisamos de plantadores de árvores”, destacou.

Para ela, o Brasil é líder em resposta e conhecimento de tecnologia no campo. Uma delas é o que a Dow Agrosciences está fazendo no projeto piloto “Carbono Araguaia”. A iniciativa visa mitigar as emissões de carbono por meio do cuidado com as pastagens, como explicou Marilene Iamauti, Diretora de Assuntos Corporativos da Dow Agrosciences (foto à direita). Recuperar as áreas degradadas permite o aumento da produtividade do rebanho e reduz a pressão sobre novos desmatamentos.

Financiamento
O financiamento do replantio de florestas, segundo Rachel Biderman, se dará pelo agronegócio. “Estão sendo feitos estudos sobre como diminuir os custos da restauração. Uma das maneiras mais baratas é a regeneração natural, ou seja, cerca-se a área e não se desmata mais. Dessa forma, só há o custo da cerca”, explicou.

Para o Secretário Adjunto de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Antonio Velloso (foto acima), o trabalho a se fazer é caro, de longo prazo e, no caso de São Paulo, depende apenas do setor agrário. “Dos 25 milhões de hectares que compõem o estado de São Paulo, 20,5 milhões são áreas de agricultura. São propriedades privadas e, portanto, a restauração florestal deve ser paga pelo proprietário”, comentou.

Na opinião de Velloso, se os proprietários se ativerem apenas ao cumprimento das obrigações do Código Florestal brasileiro, as metas de reflorestamento já seriam atingidas. “Mas a iniciativa é do setor privado. São eles quem decidem se querem ou não antecipar essa restauração”, disse. Ele vê o financiamento como uma das grandes dificuldades para o setor agrícola. Mas também vislumbra uma solução. “O acordo da COP de Paris prevê US$ 100 bilhões para países em desenvolvimento. Para acessar esta verba, basta apenas apresentar bons projetos”, lembrou.

O dinheiro para o reflorestamento pode vir de uma combinação de vários investimentos, de acordo com Rachel Biderman. “Precisamos também de uma reforma fiscal de baixo carbono, ou seja, um incentivo ou desincentivo fiscal para as empresas e suas práticas relacionadas ao meio ambiente”, destacou. O painel foi moderado pela Coordenadora do GT de Alimentos e Agricultura da Rede Brasil do Pacto Global e Diretora de Sustentabilidade da Amaggi, Juliana Lopes.


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