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O projeto foi considerado um case de sucesso na implementação dos WEPs e dos ODS
Imagem: UN Global Compact

‘Empoderando Refugiadas’ é destaque em NY

Publicado em 29 de março de 2016

Ao reconhecerem a igualdade de gênero como um direito humano fundamental e tema central para conduzir a economia global e alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), líderes empresariais de todo mundo se juntaram aos Estados-membros da ONU e organizações da sociedade civil no Evento Anual dos WEPs - Women’s Empowerment Principles, os Princípios de Empoderamento das Mulheres, entre 15 e 16 de março, em Nova York. Neste ano, o tema das atividades foi "Parceiros de negócios para a equidade de gênero: multiplicadores para o desenvolvimento". Uma das sessões do evento teve a participação do Brasil com o case “Empoderando Refugiadas”, iniciativa da Rede Brasil do Pacto Global. Na oportunidade, foi exibido o vídeo do projeto.

A assessora de engajamento e parcerias da Rede Brasil, Vanessa Tarantini (na foto abaixo, à esquerda), destacou a importância do projeto. “O número de solicitações de asilo cresceu exponencialmente nos últimos quatro anos no Brasil, o que corresponde a cerca de 20 mil refugiados e solicitantes de asilo. Os refugiados encontram muitas barreiras para se integrarem à sociedade, e conseguirem uma oportunidade de trabalho talvez seja a principal. Decidimos fazer um recorte de gênero, já que as refugiadas têm ainda mais dificuldades de integração”, disse. Hoje o projeto conta com 21 inscritas e mais de 120 representantes de empresas já participaram das atividades. Até agora, três refugiadas foram contratadas como consequência da iniciativa e duas conseguiram outras vagas.

Coordenadora do Grupo Temático de Direitos Humanos e Trabalho da Rede Brasil do Pacto Global, Heloísa Covolan (na foto ao lado, no meio), que é assessora de responsabilidade social da Itaipu Binacional, comentou sobre a preocupação da empresa com o tema da equidade de gênero, seja apoiando políticas públicas ou investindo em projetos. “Promovemos o tema há 13 anos, seja internamente ou nas relações institucionais. Temos patrocinado projetos como o He for She, da ONU Mulheres, e o Prêmio WEPs Brasil. Dentro do GT de Direitos Humanos e Trabalho, com mais de 30 empresas parceiras, a Itaipu financiou o vídeo, o que trouxe grande visibilidade para o projeto”.

Combate ao preconceito
A empresa Fox Time Recursos Humanos é uma parceira estratégica da iniciativa. Segundo a gerente de Desenvolvimento Organizacional, Danielle Pieroni (na foto abaixo, à esquerda), que também participou do evento, a empresa foi criada por duas mulheres que foram discriminadas no mercado de trabalho. Sendo assim, decidiram criar a Fox Time para, além de terem um trabalho, combaterem o preconceito de gênero. “Criamos uma interface entre recursos humanos e direitos humanos. Por isso compramos a ideia do projeto de ajudar essas mulheres a serem independentes. Estamos promovendo sessões de coaching para elas, para que sejam corajosas e enfrentem a realidade do mercado de trabalho, fazendo, assim, uma diferença na vida delas”, disse.

Para a assessora de Empoderamento das Mulheres da ONU Mulheres, Adriana Carvalho (na foto abaixo, à direita), a organização vem auxiliando no engajamento das empresas para a causa das refugiadas. “Aproveitamos a discussão sobre a igualdade de gênero no Brasil e fazemos com que as empresas abram suas portas, pois estão sensibilizadas. Recentemente ganhamos o apoio do Grupo Mulheres do Brasil, fundada pela Luiza Trajano, uma das executivas mais conhecidas do Brasil, que conta com uma rede de mais de 1 mil empresárias”, contou.

Exemplo brasileiro
Presente à sessão, o fundador e diretor executivo do Pacto Global por 15 anos, Georg Kell (na foto abaixo), parabenizou a iniciativa da Rede Brasil e lembrou que a questão dos refugiados traz à tona os casos de violação de direitos humanos em desastres humanitários. “Com esse projeto, o mundo pode aprender com o Brasil. O País tem vivido grandes problemas e desafios atualmente, mas mantém uma sociedade inclusiva e a referência de liderança em diversos temas”, afirmou.

O projeto Empoderando Refugiadas é realizado em parceria com a ONU Mulheres, Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), Programa de Apoio para a Recolocação dos Refugiados (PARR), CaritasFox Time Recursos Humanos e Lojas Renner.

Investimento de volta
No discurso de abertura do Evento Anual dos WEPs, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, explicou que “não podemos alcançar os ODS sem garantir os direitos plenos e iguais da metade da população do mundo, na lei e na prática”. Ele disse ainda que "quando as empresas investem em mulheres, observa-se uma série de benefícios e um retorno do investimento. Portanto, a igualdade de gê
nero é uma questão de negócios”.

A diretora executiva do UN Global Compact, Lise Kingo, foi enfática. “Precisamos acabar com preconceitos e reconhecer que a igualdade de gênero não é apenas um problema das mulheres - é assunto dos homens, da família, um problema da comunidade e uma questão de negócios”, afirmou.

Para acelerar o progresso, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o UN Global Compact e a ONU Mulheres, com o apoio de parceiros de negócios e governo, anunciaram a criação de uma ferramenta que ajudará as empresas a identificar lacunas na igualdade de gênero e acelerar a implementação dos WEPs.

Lideranças premiadas
Desde 2013, o Evento Anual incluiu o Prêmio WEPs para CEOs, que reconhece o trabalho de líderanças empresariais em defender a igualdade de gênero e a implementação dos Princípios. Em 2016, os vencedores nas cinco categorias foram: Jean-Paul Agon, da L’Oréal (França), Federico Bernaldo de Quiros, do Toks Restaurantes (México), Lance Hockridge, da Aurizon (Austrália), Michael Landel, da Sodexo (França), Janet Awad, da Sodexo (Chile) e David Sproul, da Deloitte (Reino Unido).

Criados pelo UN Global Compact e a ONU Mulheres, os WEPs fornecem às empresas uma abordagem integrada para alavancar o poder das mulheres nos negócios. É a maior iniciativa de igualdade de gênero no mundo, endossado por cerca de 1,1 mil CEOs de 80 países. O Brasil tem a segunda maior rede WEPs, depois do Japão, com 90 signatários.


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