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Olajobi Makinwa disse que a corrupção global alimenta uma indústria de US$ 3 trilhões
Imagem: Ricardo Jayme

‘Há sempre um ser humano por trás da corrupção'

Publicado em 29 de outubro de 2015

Ao participar do workshop “Avaliação de riscos de corrupção”, entre os dias 28 e 29 de outubro, em São Paulo, a chefe de Anticorrupção e Transparência do UN Global Compact, Olajobi Makinwa, foi taxativa quando abordou a responsabilidade e as consequências de atos ilícitos, sejam nos setores público ou privado. “É preciso entender que há sempre um ser humano por trás da corrupção. No final, haverá uma criança sem merenda na escola, uma pessoa sem remédios no hospital, uma mulher vítima de violência sexual sem atendimento. Portanto, este é o momento de lutar contra ela”, afirmou.

Para um público de mais de 80 líderes de mercado, a especialista nigeriana explicou que a definição de “corrupção” – uso indevido de um poder confiado, quase sempre motivado pela ganância – se aplica não só a políticos e a funcionários públicos, mas também aos CEOs e FCOs das companhias. "Muitas empresas acreditam que o governo é quem rouba, que pede suborno, que pratica extorsão e que elas são sempre vítimas. Mas, muitas vezes, são elas que instigam este suborno". Portanto, as empresas são, segundo ela, parte do problema e da solução.

Segundo Olajobi, o setor privado precisa assumir sua responsabilidade. “A ação começa com a recusa de subornos e a criação de políticas para mitigar atos do gênero. E é preciso comunicar essas políticas para os seus funcionários, para que eles se engajem, que seja uma ação coletiva”, destacou.

A chefe de Corrupção e Transparência do UN Global Compact mostrou os números que alimentam a indústria da corrupção: ela seria a terceira maior do mundo, o que corresponde a US$ 3 trilhões ou 5% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. “E não se trata de um problema apenas de África e América Latina, mas do mundo inteiro. Com base nos dados de 2014, os custos de corrupção na União Europeia são de pelo menos 120 bilhões de euros por ano”, acrescentou. Em relação ao suborno, ela comentou que o Banco Mundial estima perdas globais de US$ 1 trilhão ao ano. “Imaginem se isso fosse repassado para as escolas de um país?”, indagou.

Negócios mais caros
Olajobi Makinwa ainda disse que a corrupção onera em 10% o custo dos negócios no mundo. Dessa forma, ela ressaltou a importância da avaliação de riscos de corrupção nas empresas e governos e a adoção de medidas cabíveis. “Nesse sentido, a legislação brasileira, como a Lei da Empresa Limpa (12.846/13), tem contribuído muito. E há leis anticorrupção em muitos países, como China e Estados Unidos. Os regulamentos estão sendo implementados e crescem a cada ano”.

Além dos custos financeiros, a corrupção traz, segundo a especialista, outras grandes perdas. “A reputação, que foi construída durante muitos anos, pode ser perdida rapidamente, com consequências a longo prazo. Os profissionais não querem trabalhar em empresas corruptas, os investidores perdem o interesse nelas e se instaura um efeito cascata. O caso da Petrobras é um exemplo disso, pois envolveu políticos e afetou o investimento estrangeiro no Brasil. Portanto, a integridade é hoje o melhor investimento”, contou.  

‘Voz forte’
No âmbito da ONU, Olajobi lembrou que a Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, promulgada em 2005 e ratificada em 2006 pelo Brasil, é um acordo universal e eficiente para o combate à corrupção. “E nós do Pacto Global somos uma plataforma para o setor privado. Ou seja, representamos vocês nas Nações Unidas e precisamos ouvir esta voz, que é forte”, afirmou.

Ela ainda convocou as empresas brasileiras que ainda não são signatárias do Pacto Global a aderirem à iniciativa. “Há muitos benefícios, pois as companhias podem reduzir o custo de fazer negócios, melhorar a confiança do público, manter a vantagem competitiva e mostrar que estão levando em consideração a governança e as práticas sociais. O CEO precisa assinar e estar comprometido, engajando todos no ambiente corporativo”, disse.

O workshop “Avaliação de riscos de corrupção” foi realizado pela Rede Brasileira do Pacto Global, em parceria com a Deloitte e o UN Global Compact, e contou com o apoio da Braskem, Grupo Libra e Itaipu Binacional


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