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Dez anos do Pacto Global no Brasil - entrevista com Jorge Soto

Publicado em 17 de dezembro de 2013

Em entrevista ao blog Parceiros do Planeta, Jorge Soto, atual presidente da entidade no Brasil, fez uma avaliação do trabalho da rede, falou sobre os principais projetos e quais os grandes desafios para os próximos dez anos.

Quais foram as principais realizações da Rede Brasileira nestes dez anos?
O Pacto Global ajudou muito a trazer o lado social para a discussão dasustentabilidade. Se você olhar com atenção os dez princípios do Pacto, vai perceber que a questão social é muito mais forte que a ambiental. Dois dos temas principais são sobre Direitos Humanos e Trabalho. Há ainda o Contra a Corrupção, que não deixa de ter um lado social.  Do ponto de vista de realizações concretas, neste período nós saimos de 30 para quase 600 organizações engajadas e este é um dos mais importantes objetivos do Pacto. Esse volume de engajamento é fantástico! A Rede Brasileira já é a 4ª maior do planeta.

Qual o comprometimento das empresas quando se engajam ao Pacto Global?
Elas se comprometem principalmente com a transparência. Todas essas organizações publicam a evolução através de relatórios, então não é apenas engajamento por princípio, mas também pelas realizações que se comprometem individualmente. Além disso, existem iniciativas do Pacto Global que buscam promover o encontro e a disseminação do conhecimento para assuntos específicos, como por exemplo, Caring for Climate(Cuidando do Clima, em inglês) e as empresas podem aderir a estas iniciativas. Com isso, elas participam de reuniões, divulgam boas práticas em relação a esses assuntos. O engajamento vai um pouco além do que eu estou fazendo sozinho e vai para o lado doposso aprender e compartilhar com outros para ser útil. Algo que visa o engajamento coletivo. É uma maneira de ampliar a escala de influência. Você tem uma escala limitada quando age sozinho e quando age com mais empresas, aumenta esta escala.

Como tem sido o trabalho do grupo Contra a Corrupção?
Este é um assunto cada vez mais relevante nos últimos tempos nos jornais do Brasil e do mundo. O grupo tem discutido temas específicos, como por exemplo Jogos Limpos,iniciativa para que a relação entre as organizações da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos seja bastante transparente. E também a questão de compliance, ou seja, de atendimento a requisitos legais envolvendo governança e questões de boas práticas e relacionamento comercial. Há uma parceria importante com o Instituto Ethos e com isso já temos alguns guias no papel para orientar as empresas no processo decisório. A coisa está andando bem, mas é claro que ainda existe muito espaço para evoluir, basta ver o último relatório da organização Transparência Internacional colocando o Brasil numa situação não positiva nessa situação (Brasil é o 72º colocado no ranking entre os 177 países analisados sobre a percepção de corrupção).

A corrupção é ainda um grande empecilho para o desenvolvimento sustentável?
Não chega a ser empecilho, mas é sem dúvida uma questão que dificulta. Se fosse empecilho, o Brasil não seria exemplo em alguns projetos de sustentabilidade, como de matérias-primas renováveis. Graças aos investimentos da Braskem, por exemplo, o país é o maior produtor mundial de biopolímeros. Então há um conjunto de ações que o Brasil e as empresas nacionais tem que é invejado em muitos outros lugares.

Qual foi a importância da participação da Rede Brasileira na Rio+20?
Conseguimos juntar na Rio+20 mais de 220 presidentes de organizações, que assinaram a Carta de Compromissos, entregue à ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Este documento ajudou a pautar o acordo que foi estabelecido – O Futuro que Queremos. Agora estamos discutindo o que pode ser feito coletivamente baseando-se neste documento. Cada empresa faz uma coisa boa individualmente, mas é diferente quando se faz coletivamente.

Quais são alguns projetos pilotos que a Rede Brasileira está envolvida atualmente?
Estamos trazendo para o Brasil uma plataforma chamada Engagement Hub, um centro de engajamento via web, que vai permitir georreferenciadamente que qualquer um possa colocar um projeto sobre clima, água ou inclusão social, e fazer a correlação do seu projeto com um lugar onde aquilo está acontecendo. Quando uma empresa nova decide fazer algo naquela localidade, por exemplo, ela pode consultar esse banco de ações e se engajar ou fortalecer algum projeto já existente. A plataforma já está funcionando em inglês, mas vamos ter a versão em português em 2014. Outro programa que estamos apoiando é a Rede Empresarial Brasileira de Avaliação de Ciclo de Vida(ACV). Ela busca engajar mais empresas na forma de tomada de decisão que consideraimpactos ambientais e sociais em todo ciclo de vida dos produtos e serviços. Quando compramos uma geladeira, por exemplo, pensamos somente no menor consumo de energia. Mas é preciso lembrar também que esta mesma geladeira consumiu água e materiais para ser fabricada, emitiu gases de efeito estufa para ser transportada, ou seja, devemos considerar todos os aspectos para tomar uma decisão mais completa. Também estamos fortalecendo encontros entre empresas que investem em  sustentabilidade e aquelas da área de investimento financeiro que querem investir em sustentabilidade.

Quais são os desafios para a Rede Brasileira do Pacto Global na próxima década?
A Rede Brasileira quer se tornar a maior do mundo, caracterizada pelas entregas concretas que fará coletivamente. O desafio é dar sequência aos programais atuais, implementá-los corretamente e dar visibilidade a eles para que outras e outras empresas se engajem nesse movimento. Além de ser a maior, queremos ser a melhor do mundo. Sabemos que as dificuldades aumentam quando fazemos coletivamente porque temos que encontrar interesses comuns e isso nem sempre é fácil. Mas achamos que limitados a iniciativas específicas e pragmáticas, podemos dar sequência a elas e mostrar com exemplos que é sim possível fazer algo junto e com isso aproveitar a escala.

Ter escala é uma grande dificuldade para atingir a sustentabilidade?
Sim. E o fato de fazermos parte de um movimento que começou com uma ideia do secretário geral das Nações Unidas e ter uma relação importante com esses organismos multilaterais, nos facilita ampliar a escala porque há uma série de coisas que a ONU, suas agências e outras organizações fazem também. É um desafio e uma oportunidade de realizarmos algo que está na nossa escala de influência.

 

Fonte: Suzana Camargo para o Blog Parceiros do Planeta – Planeta Sustentável 

 


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